Confessar exige coragem

Confesso a todos os presentes: fui leviana. E se isso denotar pecado para alguns, confesso que pequei. Por pensamentos e palavras que ainda não expressei, atos revolucionários que ainda não cometi e, omissões convenientes sobre a vida que levo, sobre os caminhos que traço nas linhas de um papel. Tudo pela culpa, tão grande culpa de um tempo, que nunca haveremos de controlar. Mas estou aqui para me remediar: leiam à vontade! ;D

domingo, 23 de maio de 2010

Mais um discurso



Abaixo um discurso que eu escrevi para a ocasião da comemoração dos 60 anos de anos de casados dos meus avós. Vejam se reconhecem algumas características neles próprias do gênero. Aliás, encontrem o intertexto com o discurso de posse do Obama, pois a comemoração foi poucos meses depois.

DISCURSO PARA AS BODAS DE DIAMANTE DO VOVÔ E DA VOVÓ (de Giuliane Ferreira dos Santos)

Senhoras e Senhores, boa noite.

E mais uma vez, olá, família!

Que noite! Muitos, talvez, ainda não pararam para pensar isso. Que grande noite, família! Esta é a noite especialmente escolhida para uma comemoração. Afinal, é preciso comemorar que há 60 anos um casal vem construindo um mundo ao redor de si, cheio de sofrimentos e alegrias, derrotas e vitórias, e provando a todos que quem tem garra e muita fé, chega longe. Eles chegaram e hoje estão aqui, porque se estamos comemorando os 60 anos de casamento desse casal, as suas Bodas de Diamante, é porque eles não se deixaram abater pelas dificuldades, porque sempre disseram “sim” à vontade de serem felizes.

Se a graça da chegada desse dia é possível, o devemos, primeiramente, a Deus. Esse Deus, que por ser constante na vida do vovô e da vovó, é constante na vida de toda a família, que aprendeu com o exemplo que eles deram. Por isso, fazemos questão de agradecer a Deus para todo o sempre, porque sem ele não chegaríamos tão longe.

E não podemos deixar de agradecer aos onze filhos do casal da noite aqui presentes, pois com o esforço e a dedicação deles, com o trabalho de todos eles, é que mais este sonho está sendo realizado. Que Deus continue agraciando suas vidas com muita saúde, paz e tudo o que há de melhor nessa vida, porque eles merecem.

Mas claro, vamos agradecer a todos os netos, bisnetos e tataraneta, familiares em geral, todos os amigos, e todos aqueles, que presentes nesta noite, nos prestigiam. Muito obrigada!

Queremos lembrar também daqueles que passaram pelo caminho do casal, e que nas “estações” da vida, ficaram para trás por algum motivo. Temos certeza do quanto estariam felizes e orgulhosos por verem toda essa alegria. Que Deus os abençoe onde quer que eles estejam.

Mas, sobretudo, agradecemos àqueles, que se não tivessem enfrentado todas as barreiras da vida, não teriam nos dado a honra de chegar a esta homenagem. Há agradecimentos suficientes para vocês, vovô e vovó? Toda a alegria que nós temos começou nas sementes plantadas por vocês em nossos corações. E não há palavras que descrevam a nossa emoção e gratidão. Por isso é que, todos os dias, lembramo-nos de vocês e pedimos a Deus que continue abençoando tudo o que são, que continue dando saúde e muito amor para a caminhada que se segue...

É... Vocês criaram onze vidas, onze diferentes filhos, que mesmo com diferentes idéias e diferentes sonhos, por causa desse exemplo que vocês deram, deixam todas as diferenças de lado em favor de um único desejo em comum: o de ver a felicidade nos olhos de todos.

Esta noite, somos todos parte da mesma família, diferentemente... igual. Iguais na esperança, iguais no afeto, iguais na fé, iguais na alegria, iguais na emoção do amor. E é porque acreditamos realmente nisto, que estamos todos aqui para celebrar esta vitória.

Então... Adornemos esta noite com o brilho do diamante! A pedra preciosa tão buscada naqueles tempos de garimpo, vocês se lembram? À beira do Rio Indaiá, com a peneira na mão, o suor do trabalho árduo, os olhos inebriados de esperança, em meio ao cascalho, em busca do brilho dela... A pedra que traria riqueza... E quando ela aparecia, era a primeira a ser vista, tamanha a sua beleza! O que vocês já procuravam naquela época, está diante de seus olhos nesta noite. Esperamos que o diamante garimpado por nós, aqui, hoje, seja um grande presente para vocês dois! Pode haver riqueza maior do que essa?

Isso é amor puro e verdadeiro. Olhem ao redor. Observem o tamanho dessa família, o tamanho do carinho que todos têm uns pelos outros, sejam família pelo sangue, ou mesmo amigos e parentes distantes que o coração insiste em amar por serem especiais de alguma forma.

Esses olhos marejados, esses sorrisos radiantes, esses abraços calorosos, esses passos que continuam caminhando juntos para chegar, juntos, à verdade que é o amor. Tudo isso é conquista desse casal, que como bons exemplos para todos aqui, provam, definitivamente, que vencer é a conclusão do que é esse amor. Porque eles venceram de tudo nessa vida e, dizendo “sim” a um grande amor puro e verdadeiro, o conquistaram. E esse amor está aqui, diante dos nossos olhos, para quem conseguir enxergar...

Eles disseram “sim” um ao outro há 60 anos atrás; disseram “sim” um ao outro cada vez que um filho nasceu; disseram “sim” um ao outro cada vez que bateram os joelhos no chão pra aumentar a fé e pedir graças; disseram “sim” um ao outro cada vez que uma lágrima rolou de alegria ou de tristeza; e disseram “sim” um ao outro por estarem sempre juntos compartilhando tudo o que se passava na vida. Hoje, estão novamente dizendo “sim”, custando a acreditar que finalmente chegaram aqui e querendo nos dizer que... “sim”!
Porque depois de tanto tempo juntos, eles aprenderam que não importa onde se chegou, nem como se chegou, o importante é que nunca é demais dizer “sim”, porque “sim”, eles querem continuar!

E nós queremos muito continuar a ver os frutos dessa caminhada que vem sendo feita há 60 anos, e queremos mais, queremos dizer a eles, que assim também, dizemos “sim” a esse companheirismo, ao sonho de conseguir fazer pelo menos parecido com o que eles fizeram e, quem sabe, chegar onde eles chegaram. Porque hoje... Que noite... Nós queremos, com esta homenagem, dizer a esse amor que estamos aprendendo: “Sim, nós queremos e podemos também”.

Mais uma vez, muito obrigada pelo exemplo de vocês, pela força, dedicação e carinho ao longo de todos esses anos. E agradecemos a todos, que presentes aqui ou não, são também, cada um a sua maneira, um pouco responsáveis por esta vitória. Os nossos sinceros agradecimentos a todos!

E eu quero dizer mais, em nome de todos aqui presentes hoje, Vovô e Vovó...

Quero falar do amor que vocês nos ensinam o tempo todo, o mesmo amor que está descrito em Coríntios 13. Se o amor é paciente, todos os dias vocês provam o que ele é... Se é bondoso, o coração de vocês não nos deixa dúvidas de como acontece... Se tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta, a maior prova do quanto é amor, é esse tempo que vocês têm de união. E se tudo isso ainda é pouco para descrever o amor que temos a honra de presenciar na vida de vocês, completo dizendo que o amor é a partilha. E vocês nos partilham esse sentimento nobre, que nos enche de vontade de abraçá-los e poder dizer: Amamos muito vocês! E agradecemos a Deus o tempo todo por existirem em nossas vidas.

Gêneros e mais gêneros e mais processos seletivos


Pensando no vestibular, no ano eleitoral e comentando com alguns alunos, foi que pensamos num possível gênero, o Discurso Político. Então, para os que me pediram, descrevo aqui as características desse gênero e mando para vocês o melhor exemplo, na minha opinião, de um discurso político de posse: o de Barack Obama. Veja a notícia, o discurso original em inglês e também traduzido, no site do G1:


As características encontradas nesse tipo de discurso são:

O discurso político é um gênero discursivo produzido para ser proferido oralmente a um público específico em um evento solene e informativo. Expressa formalmente a maneira de pensar do locutor, que está ali para expor alguma informação ou alertar aos interlocutores acerca de algo. Por se tratar de um texto construído com o objetivo de defender um ponto de vista sobre determinado assunto, buscando o convencimento do auditório e, logo, sua adesão às ideias defendidas, é um gênero com características predominantemente expositivo-argumentativas, além de persuasivas. Devido a essa forma de interação, o ponto de vista defendido deve ser fundamentado com explicações, razões, ilustrações, citações, agradecimentos etc. Percebe-se também, por ser um gênero oral, a utilização de marcas de interlocução.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

É isso que eu amo




Escrevi pensando em vocês, meus alunos, meus blogueiros preferidos, que mudaram a minha vida, me fazendo descobrir que ela tem mais sentido dessa forma. Essa é a justificativa da minha pesquisa (hoje de complementação da graduação e, mais tarde, de mestrado) sobre a linguagem expressiva dos blogs. Faço questão de publicar:

"Novos tempos, novos verbos"

O mundo tem uma nova forma de expressão virtual: os blogs. Blogar ou twittar é uma linguagem comum entre esses expressionistas da linguagem. E claro, o Brasil está novamente dominando o mundo virtual e esses tais blogs. Afinal, há muito o que se dizer em um país tão vasto e tão marcado por polêmicas, e os brasileiros já dominam a internet há um bom tempo. Até então, os sites de relacionamento, como Orkut, Facebook, entre outros, estavam controlando a demanda dos brasileiros por se fazerem presentes na internet. Mas a coisa vem tomando outro rumo.

Os brasileiros do mundo virtual precisavam de algo a mais para se afirmarem como grandes representantes de uma nação pensante e expressiva. Assim, criaram-se os blogs, que talvez, por serem descompromissados de regras, pegaram como uma febre nacional. Nem mesmo o microbog twitter (um adereço dos bloguistas) escapou dessa força de expressão. Os brasileiros dominam ali, e ali gritam, e ali se fazem escutar pelas autoridades e por pessoas comuns, influenciando-as, fazendo-as rever seus conceitos, informando-as de suas curiosidades, interagindo um povo que está na internet em busca de um algo a mais.

A linguagem utilizada para isso não é mais a praga do internetês. Na verdade, isso agora é motivo de vergonha entre os internautas. A linguagem agora vai além, e melhor, sem as grades do medo às regras gramaticais, os bloguistas sentem a liberdade e a interação com a linguagem fluir: são críticos, dizem o que pensam, tomam satisfações, ficam atentos à opinião pública e aos seus representantes, entre outras tantas manifestações extremamente ricas encontradas nesse ambiente.

Para nós, estudiosos da linguagem, não há como ficar imunes ou ignorar essa novidade, ela é rica demais, ela motiva pesquisas de diversos cunhos e é claro que a razão, para nós, salta aos olhos e os fazem brilhar: os blogs podem ser o meio de incentivarmos a leitura e a escrita, e não só isso, podem ser o meio de conseguirmos que isso tudo tenha qualidade, e melhor ainda, que tenha uma expressão social capaz alterar nossa realidade cultural (e política, entre tantas outras) ainda tão precária.

Dizem que toda nação precisa de heróis para se sentir mesmo uma nação. Visto que no Brasil nem nação nos consideramos, e que estamos cansados de heróis nordestinos, sofredores, que pouco ou nada conseguem de mudanças para a população, talvez estejamos precisando de heróis mais contemporâneos. Heróis que podem ajudar a salvar o que uma nação tem de mais precioso: a educação.

Por isso minha pesquisa nos blogs será tão importante, pois há nela a esperança de mudar a relação das pessoas com a linguagem, provando que ela, engajada e expressiva, pode ser muito útil e não deverá ficar só no contexto escolar. E para os professores de português isso deve ser mais que motivador, deve ser a compreensão de como e porque os gêneros que tanto trabalham em sala de aula podem e devem ser uma expressão da vida. Uma vida nova, mais esperançosa e mais digna. Porque a linguagem pode sim dignificar o homem.

Uma paixão que surge

Aqui vão os links dos blogs dos meus alunos do primeiro ano (pessoal da específica-curso não fiquem enciumados, em breve colocarei os links dos blogs de vocês aí do lado... logo que eu aprender a fazer isso rsrsrs). Vejam como essa galerinha é criativa e expressiva:


quinta-feira, 13 de maio de 2010

A vida como ela é?

video


Além de engraçadinho, bonitinho, legalzinho, ou como mais queiram descrever, achei o vídeo muito pertinente. Fica esperto, cabeção!

E por falar em conto de fadas...




Quem ainda não assistiu ao remake de Tim Burton Alice No País das Maravilhas deve ir. Tenha também a sua própria opinião sobre o filme. Mas por favor, se tem algo que está me irritando PROFUNDAMENTE são esses comentários vazios que a maioria está fazendo: "é horrível!"; "eu esperava muito mais".
E eu te pergunto... Mais o quê? Horrível por quê?
Custa argumentar a favor das coisas que você acredita? Caso contrário, eu só posso pensar que você, ou não sabe o que está dizendo, ou vai na onda do momento.

A verdade é que, pela primeira vez, eu achei que um filme da Disney preservou por completo a simbologia dos contos de fada ao contar a história (considerando tudo o que já li no livro A Psicanálise dos Contos de Fada de Bruno Bettelheim). Pela primeira vez foi fiel ao que realmente interessa, sem encher linguiça com aqueles musicais, afinal, a história de Lewis Carroll é completa e cheia de significados desde o momento em que foi escrita.

O diretor do filme conseguiu readaptar uma história com temática do século XIX e nos surpreender com a eterna atualidade da questão: como sofrer metamorfoses na vida e atingir a real liberdade de sermos donos de nosso próprio destino.

Para isso, a imagem final do filme é a glória das vontades de Alice (ou de nossas vontades?). A borboleta (antes, a lagartona "Absolem") sobrevoando os ombros de Alice rumo a uma nova vida, bravamente conquistada quando finalmente conseguimos responder para nós mesmos a velha e dolorosa pergunta do "Quem é você?".

O resto ficará por conta de vocês assistirem ao filme e confirmarem (ou discordarem com argumentos) o que eu observei. Se deliciem. Como diria uma professora que eu tive, a melhor maneira de apreciarmos o novo, é nos despirmos de velhos preconceitos. Enjoy!

A VITÓRIA DA FLOR





Era uma vez um Rei e uma Rainha que queriam muito ter uma filhinha. Eles prometeram aos Anjinhos da Guarda do Papai do Céu que se permitissem essa bênção, ela seria chamada de Vitória.
Os Anjinhos da Guarda-Oficial-do-Céu, então, ficaram espantados com aquele nome tão forte e maravilhoso, que provocava verdadeiros arrepios de uma boa emoção em todos os habitantes do Céu, e foi aí que decidiram que esse Rei e essa Rainha mereciam uma boa surpresa.
A Dona Anja-mãe Sophie-de-Todas-as-Coisas tinha um lindo jardim semeado e regado dia a dia por ela mesma, e foi daí que os Anjinhos da Guarda-Oficial-do-Céu retiraram a surpresa que iriam dar ao Rei e à Rainha.
Sophie-de-todas-as-Coisas regava todas as plantinhas de seu jardim com todo o amor e sabedoria do mundo, educando-as e deixando-as lindas no verão para que fossem altamente admiradas por sua graça juvenil no outono. Mas, então, chegava o inverno e todas as plantinhas adoeciam e ficavam velhas, algumas até morriam de tristeza com o frio de suas almas já cansadas de viver.
Quando os Anjinhos da Guarda-Oficial-do-Céu contaram sua idéia para a Anja-mãe Sophie-de-Todas-as-Coisas, ela com toda serenidade consentiu em ajudá-los. A princesa daquele Rei e daquela Rainha ia sair de seu jardim de flores e a Anja-mãe iria cuidar pessoalmente do assunto. Naquele ano, então, ela semeou as flores mais belas e resistentes que já havia conhecido.
Era verão de Janeiro quando a Anja-mãe as ensinava a dar os seus primeiros ares-da-graça, seus primeiros sorrisos. Quando findou o verão, as flores já eram verdadeiras delicadezas em educação e graciosidade. Pois que chegou o outono e a Anja-mãe ensinou, pela primeira vez a elas, como envolver o mundo através de seu perfume encantado.
Os Anjinhos da Guada-Oficial-do-Céu estavam muito felizes, se a princesinha daqueles bondosos reis saísse daquele jardim, ela seria, sem sombra de dúvidas, a princesa mais bondosa, admirada, feliz e bela dos reinos de seu mundo.
Mas a Anja-mãe estava preocupada... O inverno estava chegando e as previsões que as Donas-nuvens trouxeram para ela não eram nada boas: o inverno daquele ano seria muito mais rigoroso que o dos outros anos, as dificuldades estavam aumentando. Lá na terra, os humanos estavam só piorando o aquecimento global e, por isso, não viria só o frio, mas também as tempestades, que de tão fortes, atingiriam até o Céu.
A Anja-mãe sabia que estava regando as flores mais fortes que ela já havia regado, mas sabia também que as Donas-nuvens eram senhoras muito finas e que não ficariam com aquela cor vermelha se não estivessem muito bravas mesmo com os seres humanos. Por isso, elas estavam alertando para um perigo real e a Anja-mãe sabia que poucas de suas flores poderiam sobreviver àquilo.
Eis que o inverno chegou de repente, arrasando toda a Terra e o Céu. Foi tão terrível que até mesmo o Sol teve que se esconder por um tempo, iniciando, em todas as estâncias possíveis de reinos, o que os humanos queriam acreditar que fosse uma nova Era, a tão temida Era do Gelo.
No Céu, todos os Anjinhos da Guarda-Oficial tiveram muito trabalho, pois a situação era tão grave, que eles deveriam descer à Terra para ajudar os humanos a não serem exterminados pelas tempestades horríveis e pelas temperaturas baixíssimas. Todos estavam ficando sem seus reinos...
Mas a Anja-mãe Sophie-de-Todas-as-Coisas não quis se afastar de seu jardim, com tanto amor cultivado, quis ficar ali e ajudar as suas florzinhas a sobreviverem. Mas, infelizmente, a Anja-mãe não conseguia proteger tantas flores ao mesmo tempo. A fúria da Mãe-Natureza era grande demais.
Passaram-se quarenta dias e quarenta noites de muita nevasca, quando para surpresa de alguns céticos e meteorologistas, as tempestades cessaram. Mas o frio continuava intenso e a Anja-mãe já não tinha mais forças, por isso, num momento de agonia, desmaiou em cima de seu jardim, destruindo, assim, as flores que ainda restavam. Todos ficaram muito tristes no Céu: a Anja-mãe não resistira.
Finalmente, os dias mais difíceis daquele inverno estavam chegando ao fim e a população do Céu já estava conseguindo até voltar às suas atividades normais, até o Sol resolveu aparecer e já iluminava a todos novamente. Então, os Anjinhos da Guarda-Oficial-do-Ceú voltaram felizes lá da Terra tendo cumprido boa parte de sua missão. Mas qual não foi a decepção deles quando receberam a notícia de que Anja-mãe, a Sophie-de-Todas-as-Coisas, estava morta.
Os Anjinhos da Guarda-Oficial-do-Céu velaram sua Anja-mãe por sete dias inteiros com suas lágrimas de compaixão. No último dia, resolveram tirá-la de cima do jardim e deitá-la em lugar mais perto de Deus, que a partir daí, cuidaria da Anja-mãe para eles. Mas quando levantaram-na, tiveram a maior surpresa de suas vidas: uma flor estava viva!
Com as lágrimas fortificantes dos Anjinhos da Guarda-Oficial-do-Céu, aquela florzinha, que era a mais forte de todas as outras, havia se recuperado e como a Anja-mãe tinha ficado deitada por cima dela, ela foi protegida dos últimos ventos e frio daquele pesadelo todo.
Foi uma felicidade só lá no Céu! Os Anjinhos da Guarda-Oficial amaram aquela flor como se ela fosse um retrato que a Anja-mãe tivesse deixado para seus filhos. Mas eles sabiam que a primavera estava pronta para acontecer, e que com ela, tinham que cumprir sua missão-mor, que era dar de presente uma filhinha aos reis com quem fizeram aquele compromisso tão especial.
E eis que chegou setembro, e com ele, a primavera na maioria dos reinos da Terra e do Céu. E junto com a primavera, também chegava a flor mais bela do reino daquele Rei e daquela Rainha aqui na Terra: nascia a Princesa Vitória! E todos diziam que tinha a beleza de uma flor! Só o que não sabiam é que ela era a Princesa-Flor-da-Vitória, a mais digna do nome que tinha.



Comecemos com um texto meu, então, já que os alunos têm me pedido tanto por isso. Ultimamente falei muito sobre os contos de fada em sala de aula, sua real origem, suas simbologias etc. Quando eu escrevi esse conto, em setembro de 2008, o fiz para uma priminha chamada Vitória, que estava fazendo aniversário. Costumo fazer sempre isso em família,mas geralmente, faço mais discursos para os eventos que acontecem. Depois posto algum para dar exemplo de como fazê-los. Por enquanto, percebam as simbologias de um conto de fadas no post acima...



Bem vindos, todos! Pretendo começar a movimentação do blog com textos meus (de assuntos diversos) e textos de alunos que me permitirão publicá-los (entre outros que eu julgar interessantes). Assim, acredito que estaremos ajudando uma boa galerinha, principalmente vestibulanda, e que está antenada com a questão dos gêneros. Afinal, hoje eles são uma grande parte da minha vida. Parte que aqui estará exposta e CONFESSADA.